Como pedir orçamento de um trabalho industrial: que serviço e que dados enviar
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Pedir orçamento a uma empresa industrial parece simples até chegarem três propostas que não se podem comparar: uma inclui os ensaios, outra não, a terceira parte de um desenho diferente. A causa está quase sempre no pedido, e o primeiro passo é saber que serviço o trabalho exige. Este guia ajuda o engenheiro de fábrica ou o responsável de projeto a perceber se precisa de soldadura, caldeiraria, tubagem, estruturas, montagem ou manutenção, a ver quando o trabalho junta vários serviços e a reunir o que enviar para pedir orçamento.
Antes de pedir orçamento: que serviço resolve o seu trabalho
Comece pelo que quer ter no fim e não pelo nome do serviço. Os trabalhos de metal numa fábrica dividem-se em seis tipos.
- Unir peças de aço, inox, alumínio ou titânio, em tubo, chapa ou perfil: soldadura industrial. Contam o processo (TIG, MIG ou elétrodo revestido), o material e, em muitos trabalhos, o certificado do soldador.
- Construir um equipamento que contém um líquido ou um gás, como um depósito, um vaso de pressão ou um permutador de calor: caldeiraria industrial.
- Levar um fluido de um ponto a outro da instalação: tubagem industrial.
- Sustentar um equipamento ou dar acesso a ele, com plataformas, passadiços ou suportes: estruturas metálicas.
- Instalar na fábrica um equipamento, uma linha ou uma estrutura que chega fabricada: montagem industrial.
- Manter em funcionamento o que já existe, reparar o que falha e preparar uma paragem: manutenção industrial.
Quando o trabalho junta vários serviços
Poucos trabalhos pertencem a um só serviço. Um depósito é o exemplo mais claro: o corpo e os fundos são caldeiraria, as ligações de entrada e de saída são tubagem, cada junta é soldadura e, se o depósito chega pronto e tem de ser posto no sítio e nivelado, o que falta é montagem. O mesmo acontece noutros casos comuns.
- Uma linha nova de tubagem ao lado de equipamento existente: tubagem, com soldadura em cada ligação e uma pequena estrutura metálica para a suportar.
- Uma plataforma de acesso a uma máquina: estrutura metálica, fabricada primeiro e montada depois no local.
- Uma paragem programada: manutenção, com troços de tubagem a trocar e soldaduras a refazer.
Descreva o trabalho inteiro e não só a parte que lhe parece mais óbvia. Assim, quem faz o orçamento sabe o que entra e o que fica de fora, e evita-se pedir três propostas que não encaixam umas nas outras. Quem vai fazer cada parte, e como se combinam o caldeireiro, o tubista e o montador numa equipa, explica-se em o que faz cada ofício num trabalho industrial.
Fabrico fora da fábrica ou trabalho no local
Um trabalho pode fazer-se em dois sítios, e a escolha mexe no prazo.
- Fabricar primeiro e montar depois: serve quando se parte de um desenho ou de uma especificação e a peça se pode transportar, como um depósito, uma estrutura ou troços de tubagem. A fábrica só recebe a peça pronta, e o tempo de intervenção no local é menor.
- Trabalhar no local: é o caso quando a instalação já existe e as medidas só se confirmam lá, ou quando é preciso soldar uma ligação numa tubagem já montada. Essa tubagem não se pode rodar, por isso o soldador tem de soldar na posição em que ela está.
- Combinar os dois: pré-fabricam-se os troços e fecham-se as ligações no local. É frequente em tubagem.
Diga no pedido qual é o seu caso. O tamanho e o peso das peças e os acessos à fábrica contam tanto como o desenho.
Como pedir orçamento: o que preparar e enviar
Não precisa de ter tudo fechado para escrever: o que faltar, assinale-o no pedido. Convém reunir os seguintes dados.
- Desenhos, esquemas ou isométricos de tubagem. Se não existirem, um esboço com cotas e fotografias do local.
- Materiais e espessuras e, se for um equipamento, o fluido que contém, a pressão e a temperatura de serviço.
- As normas que se aplicam, que costumam vir do projeto ou do cliente: por exemplo, a Diretiva 2014/68/UE (PED) num vaso de pressão, a EN 13480 em tubagem metálica industrial ou a EN 1090 em estruturas de aço. Se há soldadura, diga também que certificados pede aos soldadores; o que verificar está em certificado de soldador.
- As medidas e os pesos das peças e as condições de acesso à fábrica: por onde entram, que meios de elevação há, que espaço existe para trabalhar e em que horários se pode entrar.
- Os prazos: a data em que quer começar, quando precisa do trabalho concluído e se coincide com uma paragem da fábrica.
- A documentação de segurança e de coordenação: a formação e os documentos que a fábrica exige para entrar, as permissões para trabalhos a quente e quem é o seu interlocutor do lado da fábrica.
O que costuma ficar de fora do pedido
Há quatro coisas que se esquecem com frequência e que mudam o preço e o prazo.
- Os ensaios: os ensaios não destrutivos das soldaduras e a prova de pressão de uma tubagem ou de um vaso, se a norma os exigir.
- O acabamento: em bruto, pintado ou galvanizado, conforme o sítio onde a peça vai ficar.
- A documentação final: os certificados e os registos que a fábrica pede na entrega do trabalho.
- A paragem: se o trabalho só se pode fazer com a fábrica parada, diga as datas, porque cada dia de paragem é produção perdida.
Pergunte sempre o que está e o que não está incluído na proposta.
Como pedir orçamento se ainda não sabe que serviço escolher
Então não escolha o serviço: descreva o problema. «A tubagem de vapor tem uma fuga na ligação ao permutador» é um bom pedido. «Preciso de caldeiraria» pode não ser, porque o que falha talvez seja uma junta, uma flange ou o próprio suporte. Com o problema, os desenhos que tiver e a data, quem conhece o ofício diz-lhe qual dos serviços, ou que combinação deles, resolve o trabalho.
Pode ver todos os serviços de metalomecânica industrial ou pedir-nos um orçamento com o trabalho, a data e o local da fábrica. Respondemos com uma proposta.
